Empresas maduras podem ser 

inovadoras e ágeis, como as startups

Luiz Roberto Prates


Todos os dias vemos a criação de startups em diversos segmentos, como fintechs, agritechs, retailtechs e healthtechs. A agilidade com que essas empresas nascem e se desenvolvem, impressiona. Os avanços tecnológicos são o principal propulsor desse crescimento, mas outros fatores como a noção de empreendedorismo, a presença de uma liderança, a construção de um time altamente qualificado, metodologias ágeis e um ambiente colaborativo, que traz um propósito de inovação, são também vistos como pilares fundamentais.


 É corriqueiro ouvirmos executivos de médias e grandes empresas afirmarem que seus negócios podem ser caracterizados como “transatlânticos difíceis de manobrar”, com pessoas cujo mindset é considerado conservador e processos demasiadamente burocráticos. Segundo esses executivos, esta seria uma das principais razões pela qual o modelo de negócios das startups proporciona maior agilidade e facilidade no processo de inovação.


 No ano passado, visitamos empresas tradicionais nos EUA, como GAP e Volvo USA, além de gigantes do setor de tecnologia, como Salesforce e Google. Em todas elas, observamos um ponto em comum: a constante busca pela reinvenção de seu negócio, de seu estágio de transformação e do seu próprio ritmo de operação.


 Baseados no “startup way”, algumas empresas têm implementado processos que geram resultados bastante positivos, até o momento. Uma das práticas que destaco é a criação de Labs - laboratórios para desenvolvimento de produtos com moldes totalmente apartados dos processos convencionais.


 Geralmente organizado em duas fases – o levantamento de ideias a partir da análise dos clientes-alvo e o teste pré-investimento – esses novos modelos de laboratório estão muitas vezes ligados à incumbência do C level da empresa, garantindo assim, maior flexibilidade e suporte no experimento de novas metodologias e/ou produtos que não necessariamente estão diretamente associadas às metas de curto prazo da companhia. Na Volvo USA, por exemplo, esse laboratório é alocado no Centro de Tecnologia do Vale e está sob responsabilidade de um VP.


 Outro ponto importante é que a decisão de criar os Labs e aplicar processos ágeis de desenvolvimento, vêm da alta direção e integram a estratégia de transformação digital das empresas. Ou seja, não são iniciativas isoladas. Esta é uma questão essencial: a estratégia deve orientar o processo de transformação e não a tecnologia, isolada. A tecnologia é uma ferramenta que certamente irá acelerar o alcance dos objetivos estratégicos, ou até mesmo, modificá-los. Porém, a orientação e o suporte da alta direção deve ser integral, pois é indispensável entender quem, de fato, está por trás do processo de transformação.


 O mindset fundamentado em cooperação e no conceito de inovação aberta (open innovation) também merece ênfase. Todas as empresas que visitamos no Vale do Silício, ao longo da Missão Falconi, possuem uma rede de contatos ativa com outras empresas, universidades, startups e demais iniciativas. Para se ter uma ideia do quão fundamental é essa atividade, um dos principais executivos que tivemos a oportunidade de conversar disse que investe mais de 30% de seu tempo nesta interação externa. O compartilhamento de informações existentes e diferentes gera novos conhecimentos, até então desconhecidos. 

 Empresas maduras têm investido também no poder da diversidade como propulsor da inovação. 


 No Google, por exemplo, sabemos que eles continuamente se reinventam, para fazer com que seus colaboradores sejam motivados, tenham crescimento e se desenvolvam. Entre as principais atividades, a empresa tem criado novos produtos, empresas e se preocupa, constantemente, em manter forte o propósito que os moveu até agora: times multifuncionais, com total flexibilidade, respeito às diferenças, inúmeros benefícios e ambientes agradáveis e modernos, que propiciam a troca de ideias e experiências. 


 No Brasil, nos deparamos com uma realidade muita parecida em algumas das nossas médias e grandes empresas, que têm investido, genuinamente, na elaboração de uma jornada de transformação, que certamente as levará a patamares de resultados excepcionais. A questão central é: como aproveitar o avanço exponencial da tecnologia para alavancar nossas estratégias de maneira estruturada em um mundo de extrema incerteza?


 O que temos visto, é que empresas de médio e grande porte têm a capacidade de pivotar, ou seja, revisitar as suas estratégias, adotando boas práticas rumo à desburocratização, agilidade de processos e abertura de canais para a inovação. A Falconi tem atuado na implementação dessas iniciativas, aliando a aplicação das novas tecnologias às metodologias de gestão, com forte investimento em pessoas.


Concluindo, a combinação dessas práticas e conceitos, levará as empresas a resultados exponenciais.


Luiz Roberto Prates

Graduado em Engenharia Civil pela UFMG, com Especialização de Economia e Qualidade na Construção pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Portugal, Luiz é mestre em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Atua como consultor na Falconi há mais de 25 anos, com experiência em várias soluções e segmentos da economia em organizações públicas e privadas.

Atualmente é Head de Transformação Digital da Falconi. Autor dos Livros: QFD (Quality Function Deployment) – Planejamento da Qualidade e Modelo Heurístico de Alocação de Recursos em Projetos.

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